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Prêmio Ester Sabino destaca pesquisadoras com produções de impacto em sustentabilidade e inovação

Vanderlan da Silva Bolzani e Caroline Gaglieri receberam a premiação, que reconhece as contribuições científicas com relevância social no Estado de São Paulo

01/04/2026
Foto ilustrativa

(Da esq. p/ dir.) As homenageadas do dia: Iscia Lopes Cendes, Vanderlan Bolzani, Ester Sabino, Bernadette Gombossy de Melo Franco, Caroline Gaglieri e Manoela Martins – Foto Marcos Santos/USP Imagens

As cientistas Vanderlan da Silva Bolzani e Caroline Gaglieri receberam, no dia 31 de março, o Prêmio Ester Sabino 2026 para Mulheres Cientistas do Estado de São Paulo, concedido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) e batizado em homenagem à pesquisadora da Faculdade de Medicina (FM) da USP que, em 2020, destacou-se mundialmente por liderar o sequenciamento rápido do genoma do coronavírus sars-cov-2, contribuindo decisivamente para o entendimento e o monitoramento da pandemia de covid-19 que se instalava naquele momento. 

A cerimônia foi realizada no Hub Green Sampa, na capital paulista, com a presença da própria Ester Sabino, que se emocionou ao entregar os prêmios: “É uma honra enorme estar aqui e dar nome a um prêmio em vida, podendo celebrar junto com tantas mulheres incríveis que estou conhecendo ao longo dessa trajetória. Acredito que esse reconhecimento é também uma forma de divulgar a ciência, algo que precisamos fazer constantemente, aproveitando cada oportunidade para aproximá-la da sociedade. Assim como grandes premiações internacionais ajudam a colocar a ciência em evidência, iniciativas como esta também cumprem esse papel fundamental. Sei que ainda temos muito a avançar em termos de igualdade, mas momentos como este mostram que estamos no caminho. Por isso, agradeço a todos os envolvidos e celebro não apenas o prêmio, mas a oportunidade de compartilhar e valorizar o trabalho das mulheres na ciência”.

A premiação contempla duas categorias e reconhece pesquisadoras com contribuições relevantes para o desenvolvimento científico e tecnológico, com impacto em áreas como saúde, sustentabilidade e inovação.

Vanderlan foi reconhecida na categoria Pesquisadora Sênior, destinada a cientistas com mais de 35 anos e trajetória consolidada, com atuação nacional e internacional. “Recebo este prêmio não como uma conquista individual, mas como um símbolo das muitas trajetórias que constroem a ciência brasileira. Minha história começa na Paraíba, em uma família simples, e foi marcada por desafios, inclusive o preconceito por ser mulher e nordestina, mas também por encontros transformadores na universidade que moldaram meu olhar para a beleza da ciência. Precisamos reduzir desigualdades e fortalecer a educação em todas as regiões e, como cientistas, temos a responsabilidade de inspirar jovens e enfrentar problemas sociais como a violência contra as mulheres. Sigo acreditando que só seremos uma nação forte quando homens e mulheres avançarem juntos, em busca de um futuro coletivo, justo e soberano”, afirmou a pesquisadora.

Vanderlan é professora titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, e pesquisadora com atuação em produtos naturais e biodiversidade. Sua trajetória inclui participação em programas estratégicos de pesquisa, colaboração internacional e atuação em entidades científicas e na formulação de políticas de ciência e tecnologia.

Caroline, que desenvolve pesquisa na área de materiais renováveis, com foco em aplicações industriais a partir de fontes sustentáveis, foi premiada na categoria Jovem Pesquisadora, que reconhece cientistas com até 35 anos, com produção científica relevante e potencial de liderança. Para ela, a homenagem foi uma surpresa. “Espero representar, ainda que minimamente, todas as cientistas, em diferentes estágios da carreira, porque todos nós começamos de algum lugar e precisamos desse reconhecimento para acreditar que é possível alcançar nossos objetivos. Sei que ninguém chega sozinho, por isso sou profundamente grata à minha família — minha mãe Marisa, meu pai Gerson e meu irmão Marcos —, ao meu companheiro Rafael, que está ao meu lado em todos os momentos, e a todos os orientadores, supervisores e colegas de pesquisa que contribuíram com a minha trajetória. A ciência é construída em equipe, e nada disso seria possível sem esse apoio coletivo e sem o suporte das agências de fomento, que viabilizam o trabalho nos laboratórios.”

(Da esq. p/ dir.) Ester Sabino, Vanderlan Bolzani e Vahan Agopyan – Foto Marcos Santos/USP Imagens

Durante a cerimônia, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, destacou o papel da pesquisa científica no enfrentamento de desafios contemporâneos. “Estar neste evento reforça, para mim, a importância de reconhecer o papel das pesquisadoras brasileiras na construção da ciência e na melhoria da qualidade de vida da população, que é sempre o nosso objetivo final. Ao longo da minha trajetória, vi de perto como o reconhecimento às mulheres na ciência foi historicamente limitado, muitas vezes marcado por preconceitos explícitos, inclusive em instituições de ponta, e como ainda precisamos avançar para alcançar equilíbrio. Por isso, considero fundamental uma premiação como esta, que não é segregadora, mas sim uma ação necessária para corrigir desigualdades e valorizar talentos que muitas vezes foram invisibilizados. Sigo convencido de que só construiremos uma sociedade mais justa e desenvolvida quando homens e mulheres caminharem juntos, com respeito, equidade e compromisso com o conhecimento”, afirmou.

As candidatas foram indicadas por instituições científicas, tecnológicas e de inovação sediadas no Estado de São Paulo, como universidades e centros de pesquisa. Entre os critérios de avaliação estiveram a formação acadêmica, a produção científica, a formação de recursos humanos e a relevância social das pesquisas.

A escolha foi feita por uma comissão julgadora composta de representantes das três universidades estaduais paulistas: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A vice-reitora da USP, Liedi Bernucci, integrou o grupo, representando a Universidade na avaliação das candidaturas.

“Tivemos a grata surpresa de receber 100 inscrições, com trabalhos de altíssimo nível, o que tornou a seleção um grande desafio, dada a qualidade das candidatas. Isso demonstra a força e o talento das mulheres na ciência brasileira, desde as jovens pesquisadoras até aquelas com trajetórias já consolidadas. O nome deste prêmio é também uma forma de homenagear uma cientista de enorme relevância e reforçar a importância da ciência para o País e para o mundo. Ver tantas jovens seguindo esse caminho nos enche de orgulho e esperança, mostrando que elas se inspiram nas que vieram antes e também nas que estão sendo premiadas hoje. Tenho certeza de que todos sairão daqui com ainda mais admiração pela ciência e pelo papel fundamental das mulheres nesse campo”, comentou Liedi. 

Além das duas premiadas da edição, foram feitas menções honrosas à ex-pró-reitora de Pós-Graduação da USP, Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, e Iscia Teresinha Lopes Cendes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) como pesquisadoras sênior; e à Manoela Martins, como jovem pesquisadora.

“Tivemos a grata surpresa de receber 100 inscrições, com trabalhos de altíssimo nível, o que tornou a seleção um grande desafio, dada a qualidade das candidatas”, disse Liedi Bernucci – Foto Marcos Santos/USP Imagens

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