“O projeto JAPI transforma o conhecimento científico em um instrumento capaz de apoiar a gestão pública paulista”, afirma Vahan Agopyan em evento da SCTI-SP
Fotos e Texto por Gabriel Brito de Souza - Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI)
Evento online reuniu representantes de universidades, do poder público e dos ambientes de inovação para apresentar o novo site do projeto JAPI, o mapeamento do ecossistema paulista e os desafios da avaliação de impacto em políticas públicas de inovação.
O projeto Jornada dos Ambientes Paulistas de Inovação (JAPI) promoveu, no dia 22 de abril, o evento online “JAPI em Movimento: Integrando os Ambientes Paulistas de Inovação”, em referência ao Dia Mundial da Criatividade e Inovação. O encontro apresentou os avanços recentes do projeto, que tem como objetivo integrar os ambientes de inovação do estado de São Paulo, além de discutir caminhos para o desenvolvimento de estratégias de avaliação e monitoramento do ecossistema paulista.
Organizado em articulação com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SCTI-SP), o evento contou com a presença de Vahan Agopyan, secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de representantes, pesquisadores e gestores de diferentes ambientes paulistas de inovação.
“O projeto JAPI transforma o conhecimento científico em um instrumento capaz de apoiar a gestão pública paulista. Ao integrar universidades, governo e ambientes de inovação, a iniciativa amplia nossa capacidade de compreender, qualificar e potencializar a inovação nos territórios paulistas”, destacou o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Ao longo da programação, foram apresentados a nova interface do site institucional do JAPI, a evolução do mapeamento desses ambientes , os avanços acadêmicos na construção de modelos de avaliação e os desafios para transformar dados em instrumentos de gestão pública.
Projeto JAPI fortalece a avaliação dos ambientes de inovação em São Paulo
Na abertura, o professor Guilherme Ary Plonski, coordenador do projeto JAPI, destacou o caráter colaborativo da iniciativa, submetida à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no âmbito do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP).
O projeto envolve instituições como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Rede de Ambientes Paulistas de Inovação (API), Instituto de Economia Agrícola (IEA) e SCTI-SP, com o objetivo de desenvolver metodologias, indicadores e ferramentas para apoiar a avaliação dos ambientes de inovação paulistas.
Durante sua fala, Plonski reforçou que as atividades desenvolvidas pelo JAPI buscam apoiar a gestão pública e contribuir para que a sociedade compreenda melhor os resultados gerados pelos investimentos em ambientes de inovação.
“O JAPI nasce de uma questão objetiva, avaliar os ambientes de inovação. Não se trata apenas de verificar o atendimento formal dos recursos, mas de compreender quais resultados e benefícios esses investimentos geram para a sociedade e como eles podem contribuir para a gestão dos próprios ambientes”, destacou o coordenador do projeto JAPI.

Novo site institucional apresenta o JAPI no ambiente digital
A primeira apresentação técnica foi conduzida por Gabriel Brito de Souza, bolsista de comunicação do projeto JAPI, que apresentou o novo site institucional da iniciativa.
A plataforma foi desenvolvida para funcionar como uma vitrine pública do projeto, reunindo informações sobre objetivos, equipe, instituições parceiras, publicações, eventos e ferramentas de visualização de dados. Conheça o site do JAPI: projetojapi.com
A apresentação destacou três pilares centrais na construção do site: usabilidade, interface e design. A proposta é oferecer uma navegação simples, intuitiva e acessível, capaz de apresentar dados científicos e informações institucionais de forma clara para diferentes públicos.
Uma das principais ferramentas do site é o mapa interativo, que permite visualizar onde estão localizados os ambientes de inovação no estado de São Paulo, com aplicação de filtros por município, tipo de ambiente, vertentes tecnológicas e segmentos de mercado. [Clique aqui para acessar].
Plataforma de dados avança no mapeamento do ecossistema paulista
Na sequência, o professor Marcos Marcon, sócio-fundador da OpenSense, primeiro hub digital data-driven do Brasil, apresentou a frente de dados do projeto JAPI. A exposição mostrou como o projeto trabalha com bases públicas para criar análises mais integradas sobre o ecossistema de inovação.
A proposta da plataforma é cruzar dados de diferentes fontes, como bases governamentais, registros de propriedade intelectual, informações econômicas e dados de pesquisadores para apoiar diagnósticos mais precisos sobre os ambientes de inovação e suas conexões.
Durante a apresentação, Marcon demonstrou uma amostra preliminar do mapeamento de deep techs - ou seja, startups baseadas em ciência - no Brasil e em São Paulo, construída a partir do cruzamento de dados da Receita Federal, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e de bases de pesquisadores da área. Segundo a demonstração, a base inicial identificou cerca de 5 mil deep techs no Brasil, das quais pelo menos 25% estão no estado de São Paulo.
“A principal contribuição da frente de dados no JAPI é trazer assertividade estatística e metodológica. Hoje existe uma oferta extraordinária de dados públicos em diferentes níveis de governo, mas esses dados ainda estão desconexos. Nosso trabalho é estruturar essas bases, e recombiná-las em análises capazes de apoiar a leitura do ecossistema de inovação”, explicou Marcon.

Frente acadêmica propõe modelo de avaliação em cinco tipos de capital
A frente acadêmica do projeto JAPI foi apresentada pelo pesquisador Carlos Augusto França Vargas, que detalhou os avanços científicos da pesquisa. A equipe trabalha na construção de modelos capazes de avaliar o desempenho e o impacto dos ambientes de inovação de forma multidimensional.
Entre as atividades já realizadas estão revisão sistemática da literatura, pesquisa bibliométrica, submissão e apresentação de artigos em congressos nacionais e internacionais, além de entrevistas com gestores e visitas técnicas a ambientes de inovação.
A proposta de avaliação apresentada parte de cinco grandes dimensões: capital social, capital tecnológico, capital de infraestrutura, capital humano e capital financeiro. Esses eixos orientam a definição de indicadores e ajudam a compreender os resultados produzidos pelos ambientes de inovação em diferentes níveis.
Segundo Vargas, a equipe já realizou 23 entrevistas com atores ligados ao Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (SPAI), além de visitas presenciais a ambientes como Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, Supera Parque, Parque Tecnológico de São José dos Campos, Parque Tecnológico Botucatu, IPT Open e outros espaços estratégicos do ecossistema paulista.
“O foco das entrevistas é entender, junto aos ambientes de inovação, quais são as principais métricas, formas de coleta e análise de dados, além da interligação desses ambientes com o ecossistema. A ideia é que esse diálogo ajude a aprimorar a avaliação e a aproximar a pesquisa das necessidades reais da gestão”, afirmou o pesquisador.
SPAI registra novos ambientes de inovação no estado de São Paulo
O encontro também contou com a participação do professor Marcelo Caldeira Pedroso, coordenador de Ambientes de Inovação da SCTI-SP, e de Maria Eliza Flores, que apresentaram os avanços do mapeamento mais recente do SPAI.
De acordo com os dados consolidados até abril de 2026, o estado de São Paulo conta atualmente com 97 ambientes de inovação, distribuídos por todas as regiões administrativas. O levantamento inclui 14 parques tecnológicos, 27 incubadoras, 32 centros de inovação, 13 hubs de inovação e 11 ambientes em outros formatos.
Ao comentar os desafios da gestão pública na área, Pedroso destacou a importância de avaliar os efeitos dos investimentos realizados nos ambientes de inovação.
“O desafio que temos na Secretaria é compreender, a partir do investimento feito em ambientes de inovação, quanto isso gera de contribuição para a sociedade. A inovação pode produzir resultados econômicos, sociais e ambientais, mas esses efeitos não são imediatos. Por isso, precisamos mensurar como o investimento de hoje afeta a inovação e o desempenho socioeconômico ao longo do tempo”, pontuou Pedroso.
Flores também explicou que o novo processo de mapeamento foi aprimorado para tornar a coleta mais objetiva e eficiente, buscando reduzir a carga horária sobre os gestores sem comprometer a qualidade das informações.
Entre os dados apresentados, um dos destaques foi o crescimento no número de startups mapeadas. O levantamento passou de 800 startups no ano anterior para um pouco mais de 2.000 startups no ano-base 2025, considerando diferentes estágios de evolução.
Esses avanços reforçam a importância de ampliar a coleta, o cruzamento e a análise de informações sobre o ecossistema paulista, especialmente diante de um dos principais debates do evento: o desafio de mensurar, com mais precisão, o impacto dos investimentos públicos realizados nos ambientes de inovação.
