“Assumo a Diretoria da Escola Politécnica da USP com um sentimento de profunda reverência. Estar à frente desta instituição, que este ano completa 133 anos de história, é mais do que um desafio administrativo; é um compromisso com o passado, o presente e o futuro de São Paulo e do Brasil. A Poli não apenas acompanhou a história; ela moldou seu curso. Do projeto da Usina de Itaipu à malha do Metrô; da criação do ‘Patinho Feio’, o primeiro computador brasileiro, à liderança atual em energia sustentável, o DNA politécnico está em toda parte”, afirmou Anna Helena Reali Costa, a nova diretora da Escola Politécnica (Poli).
A cerimônia de posse da nova diretoria da Escola Politécnica foi realizada no Centro Cultural Camargo Guarnieri, no dia 5 de março e contou com a presença de docentes, ex-diretores, dirigentes da Universidade e representantes de entidades parceiras.
O professor do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Poli, Jaime Simão Sichman, fez a saudação aos novos dirigentes em nome da congregação da Escola.
Segunda mulher a assumir a direção da Escola, Anna Helena fez questão de homenagear as mulheres que a antecederam nessa trajetória: “Honro a memória de Anna Frida Hoffmann, nossa primeira graduada, em 1928. Saúdo a professora Maria Cândida Reginato Facciotti, que no ano 2000 tornou-se a primeira professora titular da Escola. Saúdo com admiração a professora Liedi Légi Bariani Bernucci, nossa atual vice-reitora que, em 2018, quebrou o último teto de cristal ao assumir esta diretoria. Suas corajosas trajetórias tornaram o meu caminhar mais seguro”.
A diretora ressaltou que a gestão será marcada pelo diálogo, pela desburocratização de processos e pela valorização de estudantes, servidores e docentes que constroem a Escola.
“Que a Escola Politécnica continue sendo a bússola do desenvolvimento nacional e um lar acolhedor para os que sonham em projetar o futuro. Vamos juntos construir a Poli do amanhã!”, encerrou a nova diretora.

[A partir da esquerda] Silvio Yukio Nabeta, Gustavo Ferraz de Campos Monaco, Reinaldo Giudici, Liedi Légi Bariani Bernucci, Gilberto Francisco Martha de Souza, Anna Helena Reali Costa, Aluisio Augusto Cotrim Segurado e Vahan Agopyan – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Em seu discurso, o reitor Aluisio Segurado destacou que “a Poli é uma instituição que enche de orgulho toda a comunidade da Universidade de São Paulo. Foi fundada em 1893, como primeira instituição brasileira de ensino superior criada por um Estado da federação e a terceira escola de engenharia do País. Sua origem está ligada ao processo de modernização e industrialização do Estado de São Paulo, que demandava formação técnica e científica de alto nível para sustentar seu crescimento econômico”.
“A Poli desempenhou papel central no desenvolvimento da infraestrutura paulista e brasileira, fornecendo à sociedade egressos que atuaram em grandes obras, impulsionaram o processo de industrialização e contribuíram significativamente para a consolidação do setor tecnológico do Brasil. Foram politécnicos Armando de Salles Oliveira, o fundador da USP, e o professor Lúcio Martins Rodrigues, segundo reitor da Universidade”, lembrou Segurado, que reiterou o compromisso da Reitoria de apoiar a nova gestão e trabalhar em parceria, compartilhando valores e propósitos.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, afirmou que “as boas escolas de engenharia não são responsáveis apenas por ensinar engenharia, elas são responsáveis pela formação de lideranças, de profissionais capazes de lidar com novas tecnologias e liderar o desenvolvimento do País”.
O secretário, que foi reitor da USP de 2018 a 2022 e diretor da Poli de 2002 a 2005, elencou alguns desafios que se apresentam aos novos dirigentes como a desmotivação em relação aos cursos de engenharia no Brasil e a baixa qualidade do ensino básico e médio, que não fornece uma base educacional suficiente para que o estudante consiga concluir um curso de engenharia. “Outro ponto é que temos que estimular o empreendedorismo entre nossos estudantes, para que eles sejam capazes de criar suas próprias oportunidades e ajudar a desenvolver o Brasil”, defendeu Agopyan.